Presente para criança autista: como escolher sem errar
Quem procura por isto costuma ser tio, avó, padrinho ou amigo da família. Alguém que quer acertar, gosta muito daquela criança e sabe que existe alguma coisa a considerar sem ter certeza do quê.
Comece por aqui. Autismo é um espectro, e duas crianças da mesma idade podem ter necessidades completamente diferentes. Nada nesta página vale mais do que uma pergunta rápida para quem cuida dela todo dia. Se você puder mandar uma mensagem para o pai ou para a mãe antes de comprar, mande.
As três perguntas que evitam quase todo erro
Antes de olhar produto, vale responder estas três. Elas eliminam a maior parte das escolhas ruins.
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Como ela reage a som, toque e luz?
Este é o ponto que mais causa presente devolvido. Muitas crianças autistas são hipersensíveis a certos estímulos, e um brinquedo que apita, acende e vibra pode ser desagradável a ponto de a criança nem chegar perto. Outras são hipossensíveis e procuram justamente estímulo intenso, vibração, movimento, pressão. São perfis opostos, e o mesmo presente acerta um e erra o outro.
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Qual é o interesse dela agora?
Interesses intensos e específicos são comuns, e costumam ser fonte de alegria e de competência. Dinossauro, trem, mapa, letra, planeta, elevador. Presente que entra pelo interesse que já existe tem taxa de acerto muito alta, e quem convive com a criança responde essa pergunta em dois segundos.
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O presente exige desempenho social?
Jogo que só funciona em grupo, brinquedo que pede fala, atividade que depende de revezar. Podem ser ótimos em alguns casos e virar frustração em outros. Quando você não sabe, escolha algo que a criança consiga aproveitar sozinha, no ritmo dela.
O que costuma dar errado
- Barulho alto e inesperado. Brinquedo que dispara som sozinho é o campeão de rejeição. Se tiver som, que tenha controle de volume e botão de desligar.
- Presente "terapêutico" embrulhado como presente. Material de terapia tem lugar, e esse lugar é a terapia. Um presente é um presente.
- Muita coisa de uma vez. Cinco caixas ao mesmo tempo, num aniversário cheio de gente, costuma ser demais. Uma coisa só, entregue com calma, rende mais.
- Roupa com etiqueta e costura áspera. Se for roupa, prefira tecido macio, sem etiqueta interna e sem enfeite que raspa.
- Surpresa grande demais. Para muitas crianças, saber o que vai ganhar é melhor do que descobrir na hora. Perguntar antes não estraga nada.
Ideias que funcionam, por idade
Categorias, e não marcas. A escolha final depende do perfil sensorial e do interesse da criança, que só quem convive com ela conhece.
| Idade | O que costuma funcionar |
|---|---|
| 3 e 4 anos | Encaixe simples, blocos grandes, massinha, livro de pano ou cartonado com poucas palavras. Brinquedo de causa e efeito, em que a mesma ação dá sempre o mesmo resultado. |
| 5 e 6 anos | Quebra-cabeça, blocos de montar, areia cinética, brinquedo do interesse dela. Começa a valer material de rotina e de organização do dia. |
| 7 e 8 anos | Construção com mais peças, livro sobre o interesse específico, jogo de regra clara que dê para jogar sozinho, itens sensoriais de apertar e girar. |
| 9 e 10 anos | Kit de montar mais complexo, coleção do tema preferido, fone que abafa ruído, materiais de desenho ou de escrita. |
| 11 e 12 anos | Presentes que respeitem a idade e não infantilizem. Coleção, hobby, fone, e ferramentas de organização com cara de adolescente. |
O fone que abafa ruído merece um parágrafo próprio. Para crianças hipersensíveis a som, ele resolve um problema diário: festa, shopping, secador, liquidificador, sala de aula barulhenta. É um dos presentes com melhor retorno da lista, e raramente alguém pensa nele.
Presente que serve todo dia
Há uma categoria que quem está de fora quase nunca considera, e que as famílias costumam agradecer: alguma coisa que ajude na rotina. A razão é simples. Previsibilidade reduz ansiedade, e a manhã difícil se repete todo dia, enquanto o brinquedo do aniversário cansa em duas semanas.
Isso vale desde um quadro de rotina impresso, que custa pouco, até um quadro magnético ou uma tela dedicada. Explicamos as diferenças entre eles no guia de rotina visual no autismo.
Combine com os pais antes. Rotina é assunto da casa, e um quadro que chega de surpresa pode conflitar com o que a família já usa ou com o que a terapeuta orientou. Uma mensagem antes transforma o presente em algo que entra no lugar certo.
O Meu Quadrinho como presente
Somos nós que fazemos uma dessas telas, então vale dizer com clareza para quem ele faz sentido como presente e para quem não faz.
| Faz sentido quando | Não é a melhor escolha quando |
|---|---|
| A família já usa alguma rotina visual e o formato atual cansou. | A família nunca testou rotina visual. Um quadro impresso responde primeiro se a criança se apoia nisso. |
| Várias pessoas querem se juntar num presente maior. | Você quer um presente surpresa. Este pede combinação com os pais. |
| A criança só entende imagem que seja sempre igual, sem peça que some. | A criança precisa de fotografia do objeto real. O quadrinho usa ícone fixo. |
| Você quer algo que continue servindo daqui a um ano. | O orçamento do presente é de outra faixa. É um equipamento, e o preço é de equipamento. |
Perguntas frequentes
Posso perguntar aos pais o que dar?
Pode e deve. Entre presentear no escuro e perguntar, perguntar ganha sempre. A maioria das famílias fica aliviada com a pergunta, porque já recebeu presente que não deu certo e não teve como avisar.
Brinquedo sensorial serve para toda criança autista?
Não. Eles ajudam quem busca estímulo sensorial e podem incomodar quem evita. O perfil sensorial de cada criança é individual, e é a primeira coisa a descobrir antes de comprar.
Devo escolher pela idade ou pelo interesse?
Pelo interesse, quase sempre. A idade orienta a complexidade, e o interesse decide se a criança vai querer aquilo. Uma criança de 9 anos fascinada por trens aproveita mais um livro de trens do que qualquer item indicado para a faixa etária dela.
E se a criança não demonstrar reação ao abrir?
Reação contida na hora não significa que o presente não agradou. Muitas crianças autistas demonstram interesse depois, no tempo delas, longe da plateia. Vale perguntar à família dias depois se ela voltou ao presente.
Vale dar experiência em vez de objeto?
Vale, com cuidado quanto à previsibilidade. Um passeio combinado com antecedência, num lugar já conhecido, costuma funcionar melhor do que uma surpresa em ambiente novo e cheio de gente.
Conheça o Meu Quadrinho
Uma tela de 10 polegadas que só roda a rotina. Os pais montam pelo celular e a criança acompanha sozinha.
Ver o quadrinhoFontes e leitura
- National Autistic Society. Sensory differences. autism.org.uk
- TEACCH Autism Program, University of North Carolina. teacch.com
- Ministério da Saúde. Linha de cuidado para pessoas com Transtorno do Espectro Autista. gov.br/saude
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